
Publicado originalmente em 10 de jan. de 2018 · 3 min de leitura
Atualizado: 30 de mar. de 2018
Um monte de gente pede pro cineasta ou roteirista escrever sua "declaração do artista". Mas que porra é essa, afinal?
Muita gente se pergunta o que é a tal da declaração do arista, aquele texto que todo concurso de roteiro e edital do FSA ou Ministério da Cultura pedem para que o roteirista escreva, explicando a sua visão do filme. Pois é, não é um texto tão fácil assim de se escrever, porque exige do roteirista também uma certa visão de diretor.
Qualquer um que resolva escrever um roteiro na verdade está narrando em texto aquele filme maravilhoso que já está passando em sua cabeça. O escritor vê em sua mente os cortes, as cores, eventualmente até mesmo atores e atrizes que interpretarão suas personagens (isso de escrever para um ator ou atriz específico traz vários problemas, mas por sabe-lo inevitável em algumas situações, melhor abordar este assunto em outro post).
Todo roteirista é o primeiro diretor de sua obra.
Tendo isso em mente, a declaração do artista não devia ser algo tão complicado. Mas é. Então, para facilitar a vida dos iniciantes, preparei este checklist, com base em muitas pesquisas e na minha própria experiência, e é um checklist que mistura a visão do roteirista com a do diretor, portanto é bem extenso:
1. Escreva de dentro para fora: use os três círculos do “Por quê? – Como? – O quê?”, entenda mais sobre isto neste vídeo aqui: https://youtu.be/ayaO26BmkPk
2. Paixão: por que você é apaixonado por este script?
3. Sentimento: como a plateia deve se sentir durante e após o filme?
4. Inspiração: canções, artistas, outros filmes etc.
5. Sobre a estória: Do que ela fala? Qual é o gênero (comédia, drama, suspense etc.)? Quando a história se passa? Qual é a duração temporal da trama, são vinte anos da vida pro protagonista? Dez? Um dia? Qual é o objetivo do herói? Qual é o clímax?
6. Estilo: irreal (romantiza e suaviza o mundo real, como “Uma Linda Mulher”), real (direto na veia como “Requiem para um Sonho”) ou surreal (Dalí na essência, como “Veludo Azul”).
7. Casting: qual é o tipo de pessoa para cada papel? Vá além da descrição física, aliás, traços físicos só devem ser mencionados se forem relevantes dramaturgicamente. Isso é especialmente importante quando falamos de cor da pele, muita gente gosta de dizer se o personagem é branco ou negro mesmo quando isso não faz diferença nenhuma na trama.
8. Edição: cortes rápidos adicionam tensão, takes longos são mais contemplativos, você antevê transições diferentinhas?
9. Como é a trilha sonora?
10. Efeitos especiais: muitos? Caros? Simples? Mecânicos ou CGI?
11. Temas: qual é a ideia central do seu filme? E os temas secundários? Qual é o subtexto?
12. Visão: Como vai ser a atuação? E o visual? Qual será o estilo de filmagem, muita câmera na mão, mais ágil? Como será a cor, o clima? E os efeitos sonoros?
Se você for apenas roteirista, não foque tanto em termos técnicos ao abordar os itens 8, 10 e 12. Mas dê exemplos ou descreva de forma sucinta o que você quer.
E o mais importante de tudo: faça do seu texto algo fluido, gostoso de se ler e sem erros de concordância e ortografia. Um roteirista que erra na escrita nunca será levado a sério, é como um médico careca que se especializa em calvície.
Quer saber mais? Não deixe de ler estes posts:
– Livros que todo roteirista deve ler (essencial para iniciantes!);
– Como se tornar um roteirista (para quem quer fazer transição de um hobbie para uma profissão);
– 10 mandamentos do roteirista para ter trampo a vida toda (para quem quer se manter trabalhando na indústria, independente de crises passageiras);
– 10 Dicas para aguçar a criatividade (travou? bloqueio criativo não é desculpa, veja como se livrar desse impasse).
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Texto importado do arquivo histórico do site anterior de Rafael Peixoto.